Os fungos formam-se de maneira discreta, nos cantos escuros, úmidos e frios. Cresceram e evoluíram durante milhares de anos — um processo lento e complexo — na escuridão e umidade das cavernas. Diferentemente da maioria das criaturas, estas se nutrem do escuro e sua espécie é potencialmente imortal.

FUNGOS

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FISIOLOGIA E FISIONOMIA

Sob condições favoráveis, permanecem vivos por tempo demais para qualquer estudioso do assunto se dedicar à análise — mas não significa que não podem morrer. Multiplicam-se rápido, utilizando de um processo de clonagem extremamente complexo, regeneram-se e não envelhecem, mas, enquanto criaturas parasitárias, presas a um local em específico, estão sujeitas à mudança inevitável — mas adaptaram-se a isso também.

Graças ao seu método não convencional de reprodução, que se faz através de esporos — frações muito pequenas, quase invisíveis, de seu ser que se dispersam, carregadas pelo ar, pela chuva e pelos corpos de outros animais — os fungos rapidamente se espalharam pelo Mundo inteiro, e adaptaram-se às condições adversas que ele oferecia em sua nova forma fraturada, mas ainda era um processo lento demais. Estas criaturas alienígenas precisavam de uma forma de crescer, de se transformar e, assim, se espalhar mais facilmente e sobreviver.

A REDE MICELIAL

Diferentemente das fadas, os fungos nutrem-se da morte, da mudança, da transformação. Existem em função da descentralização do ego e do retorno a um estado primitivo de unanimidade através da condensação da individualidade em um ente único que é a Rede Micelial.

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NA ERA DOS HOMENS

Prosperaram na natureza caótica e bruta do mundo anterior. Não havia morte como a morte dos homens, mas dissolução do ego e transformação contínua do Espírito — chamavam de Sonho. Uma única realidade.

Mas, de repente, o Mundo havia se dividido em duas perspectivas distintas. A Terra e o Céu não alternavam mais entre si, o Espírito demorava a se desconstruir e reconstruir, tudo parecia disposto em polos opostos de uma realidade antes única.

Agora, o Sonho comportava-se de maneira diferente — distante, o que antes era de imediato acesso, agora exigia esforço.

De repente, a Rede percebeu-se atolada.

O Mundo havia mudado para os fungos.

E os fungos mudaram com o Mundo.

Encontraram vida na morte.

Quando mortas, criaturas deixam memórias para trás. Através de esporos parasitas, fungos nutriram-se dos cadáveres de muitas criaturas e tudo aquilo que morre e absorveram suas memórias e conhecimento para si e transmitiram tudo para a geração seguinte, que fez o mesmo. Personalidade, corpo, locomoção, humanidade… um novo nível de consciência alcançado e, talvez, superado. E estas criaturas assustadoras continuaram se desenvolvendo era após era.

As memórias assimiladas de cada criatura que morreu serviram de base para que os fungos pudessem esculpir, lentamente, corpos que se movessem. Desta forma, todo fungo que se move é uma cópia impressa de outro espírito.

As fadas são avessas à morte. Os fungos nutrem-se da morte, crescem na morte e sonham. A morte não lhes gera angústia. Transitam entre a vida e a morte, o corpo e o espírito, o tato e a memória — isto é o Sonho.