Ó Nossa Sagrada Mãe das Águas Ternas, Beldade da Terra, Filha do Encontro, Broto Virgem, Jovem Mãe, Musa Destas Nossas Águas Doces, o Amor e a Beleza e a Ternura e a Vaidade, que emerge, Mãe, de Teu sangue que corre, Mãe, até os confins do Mundo.
De Teu reino nas Alturas, o Senhor fuzilava o Mundo com Seus olhos cruéis como fazia todos os dias até que, numa manhã, um figura serena, radiante e curvilínea lhe atraiu os olhos.
O Céu se fechou e a atenção do Pai se concentrou na donzela — o verde era palco de Sua dança e o Senhor se viu projetando o corpo para mais perto a cada passo daquela mulher.
De olhos fechados, sabia que era desejada. Contendo um sorriso, esticou uma perna para as nuvens e o Senhor permitiu-se despencar de Seu posto.
Caíste de quatro aos pés da Grande Mãe, que não parava de dançar — havia passado direto por Ele, sem dar-lhe atenção, sequer parecia notar Sua Presença, incontornável Presença.
Desesperado, rastejou como um cão para alcançar Seus pés antes que sumisse, a mulher, para sempre.
Pela primeira vez, sentiu que algo no Mundo era capaz de escapar de Seus dedos. Pela primeira vez, viu-se igual perante o Outro.
A mulher o pôs de pé, conduziu Seu corpo sobre Seu corpo, e tornaram-se um.
Com Suas mãos, abriste as pernas da Deusa, revelando sua intimidade. Com Sua vara, abriste caminho através do íntimo da Deusa e deleitaram-se, ambos, de grande prazer.
O sémen do Pai percorreu violentamente o caminho aberto pelo íntimo da Mãe e o Mundo fez-se florescer em vida abundante.
Atingido o ápice do deleite, separaram-se o Céu e a Terra e entre os dois formaram as primeiras águas salgadas e doces.
Das águas doces de ternura, emergiu a Filha, Sagrada Mãe das Águas Ternas, em beleza deslumbrante.
Das águas salgadas, emergiu a Segunda Filha, portando o esplendor do Pai.
Tomara, o Pai, as duas para si.
[…]
Onde a vara havia tocado o Útero Sagrado, far-se-ia berço do Grande Rio de Deleite e no que as águas desciam, abundantes, preenchendo a Terra e esticando um manto salgado sobre as profundezas, desabrochara do chacoalho das ondas a Musa Destas Águas Doces, emanando radiância e jactância, ó Nossa Sagrada Mãe, Filha do Encontro, Broto Virgem, Amor e Beleza e Ternura e Vaidade.
Sagrada seja Jovem Mãe, que deita-se com o Touro e de Teu coito faz crescer todas as coisas belas, de Teu gozo faz transbordar a vida e tornar moças, as meninas.
Suas protegidas, ó Mãe das Águas, juram sangrar Teu sangue, como sangra Vossa Musa, até que não sangres mais.
Quando chove, o Touro, tornam-se plenamente mulheres Tuas protegidas.
E quando cessa a chuva e cavalga para longe nos campos cerúleos do Pai, o Touro, emergem também moças, como Tua Beldade, do sangue como em Teu Nascimento.