Tritões e Tritânides, respectivamente, dimorfismo sexual masculino e feminino, são uma raça humana com traços anfíbios, que se desenvolveram às margens do mar.

Em algum momento do passado, tritânides foram amaldiçoadas a viverem eternamente nas profundezas, suas almas foram perdidas. Para quebrar a maldição, estas tritânides, que passaram a serem chamadas de sereias, precisam encontrar suas almas, que se fundiram às almas de outras pessoas. Por isso, sereias atraem pessoas para o mar e devoram suas almas – estão sempre em busca de sua alma verdadeira para quebrar a maldição.
Ao contrário do que diz o senso comum, trites são criaturas anfíbias, embora estejam mais próximos, em sua fisiologia, de peixes pulmonados do que de criaturas anfíbias tradicionais. Durante a gestação, a tritânide mantém a parte inferior de seu corpo submersa durante a maior parte do tempo, inclusive durante o trabalho de parto e, ao nascer, a criança trite se desenvolve como uma criatura aquática até os dez anos de idade, quando suas brânquias tornam-se pouco funcionais e seus pulmões amadurecidos. Atingida esta idade, a criança passa por um ritual de passagem em que caminha ou rasteja até a superfície.
Caso consiga caminhar de coluna ereta e cabeça erguida, provará-se apta para a vida dupla, com os pés na areia. Caso rasteje, será realocada para uma casta diferente, responsável por trabalhos perigosos e, para tal, será treinada para resistir e sobreviver em regiões cada vez mais profundas do oceano. Entre aqueles da raça dos trites, há os grupos étnico-raciais costeiros, geralmente adaptados à climas quentes e temperados, e há aqueles que vivem das viagens marítimas, cujos corpos adaptam-se melhor a climas diversos.
Aqueles que são realocados às castas profundas são muito respeitados entre suas comunidades, responsáveis por realizar as missões mais perigosas nas profundezas do oceano, inclusive aquelas que dizem respeito à religião e à segurança local — mas há um custo muito alto por trás disso. A pressão das profundezas e o treinamento intenso a que estas pessoas são submetidas modifica drasticamente sua aparência. Seus corpos são magros e cinzentos, extremamente compridos e se movimentam como enguias ou serpentes marinhas; tanto tempo expostos a pressão marítima destrói seus pulmões atrofiados e, em troca, permite que suas brânquias tornem-se mais eficientes, tornando-os criaturas marinhas que raramente sobem à superfície.
Por outro lado, os trites comuns, adaptados à vida dupla, mas majoritariamente terrestres se comparados àqueles da casta profunda, são altos, robustos e muito fortes, com braços largos e uma estrutura corporal densa, adaptada a trabalhos braçais que exigem muita força e resistência. Sua caixa torácica e seu baço são naturalmente muito largos, projetados como caixas enormes para armazenar oxigênio. Trites costumam tatuar seus corpos, através de pigmentação, com pedras de sal e cristais que produzem uma substância pegajosa. Suas tatuagens brilham quando expostas à água salgada.
Por serem nativos das Ilhas do Leste, é bastante possível que a causa da maldição que assola as tritânides seja a facilidade com que o Mal cruza para o Anel Continental e para o Coração do Mundo através dos caminhos entre as centenas de ilhas grandes e pequenas do arquipélago.