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Tipo: Vilarejo
Status: Extinto
Fundação: Antes do Velho Reinado
Região: Estepes do Vale da Tempestade, ao sul do Vale Gauro
Visão Geral: O bosque, naturalmente, voltou a crescer em torno da grande cratera que se formou com a explosão manifestada por um grande demônio. A fama de terra amaldiçoada mantém os poucos viajantes e forasteiros longe, tornando o território, para sempre, profano.
Cultura e Sociedades: A comunidade era composta, principalmente, por homens-jovens, anões, ferais e alguns poucos descendentes de gigantes. Havia uma relação bastante íntima entre o povo de Yurei e os espíritos do bosque que cercavam a colina. Houve, durante os mil anos de isolamento, especial reverência ao espírito da Monarca, fada que teria sacrificado o próprio corpo físico ao manifestar a névoa que servia de redoma e mantinha Yurei invisível para o mundo exterior.
Relato: O Limiar da Inocência
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O pequeno vilarejo de Yurei foi fundado por escravos fugitivos trazidos para o Oeste por senhores da guerra gigantes que se basearam no Vale da Tempestade.
Guiados por anões da região, já acostumados a se esconder de seus inimigos naturais, escaparam através de um complexo sistema de túneis subterrâneos que os levaram para longe do Vale, além das estepes. Se dividiram em dois grupos: um seguiu com os anões e ergueram uma comunidade subterrânea que não resistiu ao tempo, deixando apenas ruínas para trás. O outro grupo enfiou-se entre as árvores, guiados pelos espíritos daquela terra, a quem passaram a prestar respeito.
Estes deuses os guiaram até uma colina, no centro da floresta. Com a permissão destes deuses, derrubaram as árvores e abriram uma área mais limpa e plana, onde poderiam viver da agricultura de forma pacífica, longe da crueldade dos gigantes.
Nesta mesma floresta, um senhor fundou seu reino, mas as duas comunidades mantinham um contato mínimo. E a paz prevaleceu por séculos até ser ameaçada pela Queda do Céu que devastava e desfigurava o mundo inteiro.
Em um momento de desespero, uma poderosa fada que vivia na floresta elevou-se acima das árvores e sacrificou seu corpo para manifestar uma poderosa magia que manteria toda a floresta, o reino e Yurei separados e escondidos do restante do mundo. O espírito desta poderosa feiticeira passou a ser reverenciada como uma deusa, a Monarca, a senhora e guardiã de toda aquela região, e o povo de Yurei se aproximou das fadas que também viviam entre as árvores daquela floresta, que lhes serviam, dentro de sua concepção, como agentes que faziam a ponte entre o povo do vilarejo e a Monarca que reinava absoluta no Mundo Invisível dos espíritos, dos mortos e dos sonhos.
Durante séculos, o povo de Yurei viveu isolado do mundo, desenvolvendo cultura própria e bastante distinta daquela do Velho Reinado que se ergueu além das fronteiras. A névoa espessa que envolvia os arredores da região a mantinha invisível para todos os forasteiros e lendas surgiram entre as bocas dos povos do Velho Reinado — as Terra das Brumas, como ficou conhecida, seria um espaço amaldiçoado, que desaparecia com os insanos o suficientes para se aventurarem através dela. Tornou-se, para os povos das estepes e das montanhas do Vale da Tempestade, fonte de medo milenar.
E estavam certos em pensar desta forma: as Brumas destituíam as almas dos forasteiros de seus corpos e as devorava, tornando-os cascas vazias, abandonadas.
Yurei começou a caminhar lentamente rumo ao fim quando um guerreiro em chamas invadiu o céu do vilarejo em um árduo confronto com uma besta demoníaca movida por fúria irrefreável. Uma sequência de eventos precisos revelou Yurei para o mundo e, rapidamente, toda a maldade que envolvia aquelas terras concentraram-se naquele lugar, antigamente, intocável por qualquer escuridão.
Acontece que, durante os mil anos de isolamento de Yurei, um grande império ascendeu e cresceu por séculos e tombou.
Com a queda do Velho Reinado, a frágil rede política se fragmentou e pequenos conflitos começaram a estourar em pontos estratégicos da Borda Oeste, do norte ao sul.
E, mais ao sul, na Borda Sul, sob o Sol escaldante, dois impérios poderosos tombavam também com a ascensão de um Rei Serafim escolhido pelo espírito daquela terra, pelo deus esquecido, mas reverenciado em silêncio por cada criatura que vivia entre as dunas de vidro. Com a ascensão deste que chamam de Rei Jakoh, Regicida, Assassino de Falsos Profetas e Verdadeiro Profeta do Deus Morto… a ordem despencou de uma vez.
Uma Guerra Santa. Medo, desconfiança, desejo por território e poder… maldade humana concentrada demais explodiu de repente e projetou sua sombra mais escura do que a noite sobre o Anel Continental e, quando Yurei se revela para o mundo, parte desta sombra se concentra naquele ponto santo, como se uma rolha tivesse sido arrancada e agora todo o conteúdo transbordasse para aquele vilarejo pacífico.
Yurei desapareceu do mapa. Desta vez, de verdade e para sempre. A floresta verdejante que a cercava e protegia se sacrificou em corpo e espírito para evitar maior catástrofe, mas não fora o suficiente.
Desamparados, seu povo também desapareceu em brumas diferentes daquelas manifestadas pela Monarca… brumas mais carregadas de incerteza…
As brumas do tempo.
Mas a semente da esperança haveria de ser carregada entre os dedos de uma criança que, agora, se tornava um homem… um líder… um guia.