
A Borda Oeste do Anel Continental

As Ilhas do Leste do Anel Continental

A Borda Sul do Anel Continental — o Deserto Ocidental e o Deserto Oriental, separados pelo Vale da Boca do Diabo, a Terra Prometida.
O Mundo Material é uma realidade vasta e não há ninguém que conheça verdadeiramente seus limites. Durante muito tempo, houve medo quanto à imprevisibilidade e natureza selvagem e mágica do mundo que existia além das cavernas onde as raças da espécie humana foram concebidas, então, até que surja alguém insano o suficiente, os povos do Mundo Conhecido optam por se restringirem aos limites do mapa que, aos olhos mais atentos, consiste em um grande anel em pedaços que forma as grandes e pequenas porções de terra, de grandes regiões continentais a vastos arquipélagos em pedaços, que envolvem as águas do Coração do Mundo. Este mundo mapeado, este círculo quebrado, é chamado popularmente, por estudiosos e pela gente comum, de Fractura ou Anel Fractus.
Já houvera um tempo em que o mapa formava um anel perfeito em torno de seu centro, o Coração do Mundo, mas desastres, causados por forças naturais ou não, fizeram este mundo em pedaços, tornando-o o que conhecemos como “Mundo Quebrado” e o que marinheiros chamam de “Mundo Mapeado”. O que há além do Anel Continental é um grande mistério que está muito longe de ser desvendado — os mares além do Anel escondem segredos e maldade… muita maldade, com certeza.
De toda forma, alguns dos estudiosos e teóricos do assunto defendem que o Anel Continental representa muito provavelmente a única região habitada do Mundo Físico — talvez, o que exista além do Anel Continental não seja concreto, mas um mar literal de caos profano e indistinguível das profundezas do Mundo Espiritual. Cartógrafos costumam marcar o desconhecido como lar de dragões.
No fim, a única certeza acerca do tema é que vivemos uma nova caverna. Mas o que há lá fora… não há luz lá fora que atraia as mentes curiosas do Mundo Conhecido, como atraiu a humanidade para fora de suas cavernas no passado… apenas escuridão, incerteza e uma sombra densa, onde a luz do Sol não alcança.
Na Fractura, um dia tem vinte e quatro horas e um ciclo anual completo é composto por trezentos dias e dividido em três períodos, marcados por uma mudança gradual na temperatura. Os anos iniciam mais quentes e férteis, passam por um período intermediário de intersecção entre a vida e a morte e terminam mais frios e inférteis.
Um ciclo completo de trezentos dias é chamado de Trezenta.
A luz do Sol se movimenta erraticamente, geralmente partindo do Leste e atravessando o contorno do Anel Continental, perseguido por uma escuridão voraz, a noite que serve ao Mal. Os movimentos do Sol precisam ser constantemente regulados através de rituais coletivos realizados no Mundo inteiro por povos diversos. Do contrário, o Sol não renascerá na manhã seguinte e o Mundo irá se desfazer, devorado pela Escuridão, pelo Demônio.
No início do ano, o Sol parece mais próximo do solo, mas se eleva durante o ano até se tornar extremamente distante na Borda Norte da Fractura e então “desce” novamente ao passar pelo Leste.
Os ventos quentes são gerados pelo movimento do Sol e distribuídos pelo mapa radicalmente. Correm pelo Mundo até atravessarem os limites do Anel, onde a friagem do Mundo Desconhecido os faz retornar como uma onda fria que se lança, novamente, para todas as direções.
Todas as águas da Fractura desaguam no Coração do Mundo, o grande oceano no centro do Anel Continental, e retornam para suas nascentes, nas alturas, através da evaporação e chuva.
Um fenômeno curioso é a grande seca que assola a Borda Sul da Fractura. Um grande desastre varreu a vida da região inteira séculos atrás e, desde então, nada cresce do solo. Não há nuvens no céu que regulem a evaporação e redistribuição da água — estas nuvens estão concentradas na Borda Norte, onde a luz quente do Sol malmente encontra a terra através de pequenas frestas entre a camada densa e escura de nuvens tempestuosas.