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Muitos atribuem a existência do Mal ao que chamam de Demônio – que é diferente de seus particulares, demônios. Comum tradição de antropomorfizar conceitos abstratos que escapam à compreensão comum. Demônio, enquanto entidade geradora de todo o mal, é um termo simples, embora equivocado, para se referir a algo muito mais complexo.

O MAL

A fonte de todos os males do mundo – de todo e qualquer mal. Nada mais é do que a ideia por trás deste conceito, a Ideia do Mal, que envolve tudo o que existe além dos confins da existência e que, meticulosa e sutilmente, infiltra sua presença, sua influência, no Mundo através de brechas. Não há vitória perpétua na batalha contra o Mal. Não há como escapar do Mal ou evitar que o Mal se manifeste. Ele se apresenta em diferentes graus de sofrimento e destruição.

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Do Princípio, a Luz rasga a Escuridão e cada feixe de seu ser gera um aspecto de uma realidade de precária existência. A luz, primeira ruptura, atravessa e idealiza o Espírito e toca e confere a Forma ao Mundo. Esta Escuridão é o estado natural de todas as coisas e todas as coisas tendem a um retorno entrópico e destrutivo e esta forma como a natureza se comporta é chamada de Mal.

O Mal é a substância de uma realidade que apenas se sustenta, através da ação humana, em uma ruptura anômala e sua manifestação é inevitável e se faz através daquilo que gera toda forma de prejuízo, pois cada manifestação do Mal corrói o Mundo, devora a luz, força um retorno para o estado original de Escuridão perpétua. O Mal não é uma força consciente, não tem razão para ser. Ele apenas é. Ele consome e, sempre que se manifesta, arrasta parte do Mundo consigo para as trevas.

Sendo parte intrínseca da realidade, está presente dentro de tudo aquilo que existe, em movimento, buscando uma brecha que irá inevitavelmente encontrar.

O fogo não tem razão para queimar.

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