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Demônios. Todos conhecem a palavra, mas poucos têm ciência da complexidade por trás de sua existência. Este tipo particular de espírito está profundamente ligado ao Mal, enquanto conceito, enquanto ideia, enquanto realidade neste mundo e fora dele. Os demônios existem e agem como extensões do Mal em nosso Mundo, incorporando seus mais diversos aspectos. Tudo aquilo que existe tem um mal potencial, logo, pode gerar demônios – e não me refiro apenas a corpos físicos. Muito pelo contrário.

Demônios surgem do espírito, da ideia da coisa, da potencialidade do mal presente em tudo o que existe. São criaturas trágicas que, diferentemente das raças humanas e seus semelhantes, não compartilham da dádiva do livre arbítrio. Demônios não são maus, demônios são o Mal, espíritos do Mal. Eles não precisam de um motivo para fazer o que fazem, apenas fazem – ou melhor, existem. A maldade é inerente a um demônio. Da mesma forma que o homem é uma criatura livre para escolher entre o Bem e o Mal, um demônio não é. Não se passa pela cabeça de um demônio a possibilidade de praticar o bem, pois é o Mal por excelência.

É verdade que todos os demônios compartilham dos mesmos conhecimentos e de uma natureza em comum, que é a maldade, embora, dotados de personalidade, a incorporem e pratiquem de formas que melhor se adequem ao seu ser.

É creditada a maldade a um “Demônio Original” – forma coloquial, mas suficiente, de se referir ao Mal, enquanto força que existe, que é uma realidade neste Mundo. De forma muito semelhante a certas pragas, os demônios existem e agem como uma mente coletiva, ligados pela fonte de sua existência que é o Mal.

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Em síntese, os demônios são extensões do Mal.

Demônios são aproveitadores, enganadores e perversos. Todo espírito e toda ideia pode vir a se tornar um demônio se imbuída de maldade o suficiente. O espírito pacífico de uma floresta, em fúria por ter seus domínios perturbados, de repente, se torna um demônio. O espírito de um parente há muito morto que, dentro de si, tinha maldade demais, pode se tornar um demônio. Uma região onde o mal tem sido amplamente praticado, de forma velada ou não, pode servir de ventre para o nascimento de demônios. O mal atrai o Mal – e este vem e age através de demônios. Todo mal é praticado. Logo, todo demônio é resultado de ações, de escolhas. Demônios não podem escolher, mas aquele que pode e opta por escolher a maldade, certamente atrairá demônios.

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Curiosamente, estes espíritos são uma exceção a grande maioria, pois nada podem fazer no Mundo Material se não estiverem na posse de um corpo. Novamente, retornamos a ideia de que o mal é praticado. Então, não haveria outra forma mais justa de um demônio acessar, diretamente, a Matéria senão através do corpo de outrem.

Como estas criaturas existem enquanto extensões do Mal, uma força que apenas cerca o Mundo, penetrando-o de formas sutis, quase invisíveis, a vibração energética-espiritual dos demônios não está perfeitamente de acordo com as de outros espíritos que habitam o Mundo. Por isso, através de ações de criaturas e espíritos energeticamente alinhados com as vibrações padrões do Mundo, os demônios não apenas podem, mas desejam possuir corpos para que possam praticar, da forma mais livre, o Mal.

Há de se destacar a distinção entre um demônio e um espírito malicioso. Espíritos maliciosos são como pessoas maliciosas. Demônios existem em uma esfera radicalmente diferente, como um estágio último da tendência malévola, de onde não há retorno.

Quando um demônio é arrancado de um corpo, deixa para trás somente o corpo. Um cadáver, uma casca vazia. O espírito que habitava aquele corpo foi assimilado pelo demônio, retornou a uma natureza maligna original e, para todos os fins, não existe mais.

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Acontece que o Mal é, também, inerente ao homem, tal como o Bem. Sempre sentiremos raiva, inveja, luxúria, medo; praticaremos a violência, imporemos a ordem, seremos tomados por êxtase; alimentaremos desejos, vontades, preconceitos… então, como evitá-los?

Você não os evita. Pelo menos, não por completo. Demônios incorporam a inevitabilidade do Mal.

Trabalhe seus pecados. Trabalhe o Mal que existe, também, dentro de você, mas aceite que, neste Mundo, o Mal é uma realidade e não há como censurá-lo ou excluí-lo da existência. Através de pequenas ações, você pode praticar o Bem e é o suficiente. Enquanto houver o mínimo de bondade, haverá esperança. É o que você pode fazer enquanto um espírito livre para escolher entre o Bem e o Mal.

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O Mal existe. Você cede?