Os ancestrais dos duarani, popularmente chamados de Anões, ou Homens de Baixo, sempre preferiram as profundezas das cavernas – mas isso não significava conforto. Quando perceberam-se capazes de criar ferramentas que os ajudassem no trabalho, começaram a cavar cada vez mais fundo e fundaram suas primeiras comunidades abaixo do solo, sob as montanhas.

Definitivamente, não eram covardes. Acontece que, antes que optassem pelas profundezas, tentaram deixar suas cavernas e explorar o mundo externo, mas havia aqueles maiores, mais fortes e perversos que os perseguiam, os violentavam, escravizavam e até os comiam como petiscos.
Mesmo quando se isolaram em suas comunidades subterrâneas, não encontraram a paz – os gigantes continuavam perturbando suas vidas. Por conta disso, os antigos anões deixaram as terras do Norte para se aventurarem entre as colinas e gramados férteis do Oeste, guiados pelos espíritos da terra.
Dizem os estudiosos que os duarani, acostumados à vida nas cavernas, não tinham conhecimento sobre a arte da agricultura e aprenderam com uma gente de pernas compridas da superfície que, apesar de covardes, se esforçavam bastante e eram muito engenhosos e os duarani valorizavam estes atributos. Assim, aprenderam com estes humanos a arte de plantar e colher; em troca, os ensinaram a arte de criar ferramentas e erguer casas e fortes.
Dizem que este primeiro contato se deu quando os homens-jovens perceberam que caminhos de terra haviam sido traçados no solo que, se seguidos, os levavam a pequenas fortalezas de pedra e madeira, onde havia muita comida e fartura estocada. Aqueles pequenos peludos haviam aprendido a conservar comida e recursos para períodos de grande escassez. Sim, os anões foram os responsáveis por pavimentar as primeiras estradas que conectam as cidades, vilas e fortes do Continente. Até hoje, anões e homens-jovens mantém uma boa relação.
A vida subterrânea não era fácil – por isso, este povo teve de se adaptar, se tornar mais forte, mais resistente, menos exigentes. Os duarani dependiam quase que exclusivamente da caça, entre os túneis que escavavam, para se alimentar. Serviam-se de tudo aquilo que lhes parecesse minimamente comestível e isso gerou pessoas resilientes, pouco afetadas por venenos ou intoxicação, e bem acostumados a recursos escassos. Por isso, os anões são conhecidos por sua força descomunal, pele rígida como rocha, estrutura óssea densa e pesada e pouca fome.
Curiosamente, são simplesmente incapazes de aprender a nadar. Afundam antes que possam pensar em reagir. Péssimos marinheiros.
Sua altura média varia de 1,20 a 1,65 metro, com corpos largos em proporção a altura. Costumam viver até os cem anos de idade, como a maioria das raças humanas, com uma expectativa média de 75 anos de idade. Durante a velhice, podem desenvolver maior dificuldade para realizar trabalhos e movimentos bruscos por conta do peso e densidade de seus ossos e músculos.
É comum entre os duarani deixarem suas barbas crescerem, pois é sinal de grande fartura e o que eles chamam de duarf, termo que se refere aos atributos e qualidades mais apreciados em um duarani, como a força física e a capacidade de liderar e viver em comunidade, semelhante ao conceito de virilidade masculina dos homens-jovens, com a diferença que o duarf é um atributo associado tanto a homens, quanto a mulheres duarani. Então, mesmo entre as mulheres, deixar a barba crescer é uma prática comum entre as comunidades que bebem mais da tradição e cultura enânicas.

Diferentes representações de gnomos e formas de incluir sua fisionomia desviante na sociedade.
Cabelos e barbas ouriçados, braços compridos e pernas muito curtas, cabeças muito redondas e músculos rígidos — os gnomos são uma casta de anões de fisionomia desviante. São chamados de casta pois, independente da cultura e tradição, são educados para cumprir uma função dentro da sociedade: manutenção e trabalho de risco.
Se anões afundam, os gnomos não. Se anões são robustos demais para se esgueirar por certos espaços, os gnomos não são. Se anões têm ossos e músculos densos e pesados que enfardam seu movimento, velocidade e precisão com a idade, isto não é problema para os gnomos.
Anões podem nascer pequenos demais, deficientes e até mais fracos, mas isso não os exclui da comunidade, da família. Eles também têm duarf. Eles também são duarani. Eles são gnomos.