Os ancestrais dos marán, também chamados de elfos, vieram de uma terra fria e infértil, onde nada crescia e a luz mal tocava a terra. Pragas terríveis assolavam a região e poucas eram as crianças que alcançavam a idade adulta e poucos eram os adultos que alcançavam a meia-idade. Nenhum alcançava a velhice. Todos morriam muito cedo e muito doentes.

As histórias contam que os grandes heróis élficos do passado laçaram o Sol e também os quatro ventos e os puxaram para perto e o céu trovejou pela primeira vez e a chuva fertilizou a terra e fez crescer árvores e grãos, renovando o Espírito da Vida, Rán. Os heróis expulsaram a morte e garantiram que ela nunca assombraria os elfos novamente. E tornaram-se os elfos imortais e amigos da Vida, termo que lhes confere o nome marán.
Elfos são os ancestrais mais antigos da humanidade. Teriam atraído a luz para suas terras tomadas por escuridão. São consideradas figuras de lenda e folclore por viverem de forma dispersa, às margens da civilização. Indiferentes à passagem do tempo, somente morrem em decorrência de assassinato e acidentes.
Diferentemente dos demais ancestrais humanos, os corpos dos elfos não murcham com a maturação da alma, que é muito leve. Um elfo somente envelhece quando cansado de espírito e somente falece quando este cansaço o induz a fechar os olhos para mergulhar em sono profundo pela primeira vez na vida. Seu espírito rompe com o corpo e, como uma gota d’água em um oceano infinito, se dissolve e desaparece, retornando ao Princípio e permitindo ao corpo murchar até desaparecer.
Indiferentes ao tempo, elfos não têm o costume de contar os dias, meses ou anos. Não percebem a realidade como humanos, ainda que o sejam, mas como espíritos a percebem. A benção de Rán.
Têm uma estatura média que varia de 1,58 a 1,60 metro e o formato muito sinuoso de seus corpos gera uma vaga ilusão de que são mais altos.
Ao contrário do que muitos imaginam, os elfos pouco lembram do passado distante. A incapacidade de dormir impede que guardem memórias. Mesmo grandes guerras e nomes importantes desaparecem na mente nebulosa de um elfo conforme o tempo passa. Apenas aquilo que verdadeiramente o marca é guardado.
As histórias contam que os elfos viviam em terras gregárias de prazeres eternos, os Bosques de Maranazan, onde celebravam a juventude eterna com a benção do Espírito da Vida, mas que esse paraíso foi consumido por uma morte estéril ancestral e se perdeu para sempre quando este espírito foi assassinado, causando a diáspora dos elfos. Dizem que, por vezes, com o fim de um ciclo solar, elfos se reúnem nos restos de seu paraíso perdido e decrépito para honrar a terra¹.
¹ O termo “honrar” traça suas raízes do antigo “honrán”, termo que confere nome a celebração dos marán em respeito, reverência e luto a Rán.
Sendo muitos elfos feiticeiros, pouco se importam com armaduras pesadas ou eficientes — afinal, seus corpos não têm a estrutura necessária para suportar o peso de placas pesadas de aço. Inauguraram, os elfos, as égides mágicas que oferecem proteção contra danos externos.
A única parte realmente blindada de seu corpo, sem artimanhas mágicas, é a garganta. A oralidade é essencial para os elfos comunicarem sua vontade e manifestarem efeitos mágicos. Enquanto houver voz, quaisquer ferimentos podem ser curados. O contrário não ocorreria com igual facilidade.
Suas cordas vocais são seu componente suplementar essencial para a prática mágica.
Os elfos têm uma aversão natural à escrita. Não são capazes de registrar, sem esforço contra a própria natureza, nada por escrito.
A antiga tradição marán reverenciava Rán, o primeiro aspecto da vida, que existe somente através dos próprios elfos, e aqueles quem trouxeram ela da escuridão, laçaram o Sol e as nuvens do Céu — os demais Mavar, os honrados ancestrais.