Nas margens do Continente, vivem aqueles considerados incivilizados, aqueles que foram moldados pela violência, pela escassez, pela desgraça, mas que não foram acolhidos, apenas usados, aqueles que chamam de orcs — uma palavra curta, seca, mas carregada de força. Orcs são humanos de estrutura poderosa e comportamento selvagem, propensos ao que chamam de Ira — momento em que, tomados por um frenesi, agem como verdadeiros monstros, mas movidos por algo comum a todos nós: vontade de viver, instinto de sobrevivência, desejo de proteger.

ORCS

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HISTÓRIA ANTIGA

Mil anos atrás, quando o céu caiu, terras afundaram, distanciando-se da luz, e se aproximando das raízes que mantinham a terra de pé, mas que sofriam com o cataclisma também. As histórias contam que povos inteiros foram arrastados para as profundezas, onde reencontraram o Mal que descansava na escuridão abaixo e, como nos primórdios da humanidade, agarraram-se ao grande espírito da terra. Estes sobreviventes se aninharam entre as raízes das grandes árvores e ergueram sua civilização entre estas raízes que sustentam o mundo e aprenderam a combater os monstros que rastejavam no escuro e os espíritos malignos que tentavam roubar-lhes os corpos.

Por muito tempo, chamaram este inferno de vida até que uma raio de luz invadiu seus ninhos. Uma profecia se concretizava.

Um rei dos homens grandes, guiado por homens baixos, havia descido e desejava encontrar-se com a Mãe para pedir a sua benção para governar todos os povos que pisavam a terra. Ela deu-lhe esta benção e o rei dos homens viu naquelas criaturas sombrias, aninhadas entre as raízes da grande árvore soterrada, aliados. Ele os atraiu de volta para a superfície, uma superfície restaurada, não mais devastada pelas Quedas, pôs armas pesadas de ferro em suas mãos duras e os mandou lutar em nome da Ordem.

Mas quando venceram, não foram agraciados com glória, títulos e honrarias. Os tempos de guerra haviam sido deixados para trás e os filhos dos filhos do rei dos homens grandes não desejavam aquelas criaturas por perto, então as mandaram para os cantos mais distantes do Continente, onde não seriam um problema, com a promessa de paz, de repouso merecido após batalharem tão arduamente pelo Reino. Mas, as pessoas não viam os orcs de tal forma, não os viam como heróis, como paladinos da ordem, como filhos da terra… apenas como monstros dos confins do mundo.

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FISIOLOGIA E FISIONOMIA E COMPORTAMENTO

A fisiologia dos orcs pode ser comparada a algo entre o homem-jovem e o anão. No subterrâneo, adaptaram-se de forma muito semelhante aos anões, desenvolvendo a musculatura, a resiliência e a psiquê também — pois, retornando à escuridão genitora da espécie humana, um instinto primordial de sobrevivência despertou dentro dos orcs; agarraram-se às raízes das árvores gigantes que afundaram com eles como filhos que se aninham no colo da mãe, e desenvolveram toda uma sociedade em torno deste culto muito intenso à terra e à figura materna, que é tanto genitora e protetora, que acolheu no passado e acolhe novamente em um novo período de desgraças. A escuridão que encontraram nas profundezas servia de lar para monstros, para bestas mágicas sombrias, e aquele ambiente terrível atraía demônios sedentos e desejantes por corpos que lhes possibilitassem agir plenamente no Mundo Físico. Expostos à violência e à maldade todos os dias, os orcs tornaram-se presas fáceis para aqueles demônios, mas resistiam mesmo assim e tornaram-se poderosos combatentes contra estas forças que eram extensões da mesma escuridão que gerou a raça e que agora as desejava de volta. Expostos ao Mal, orcs tornaram-se as criaturas desfiguradas e de aparência bestial que encontramos atualmente, mas esta fora a menor das marcas deixadas pelo Demônio nos Filhos da Ruína: orcs são criaturas traumatizadas. Suas mentes e seus corpos, seus instintos estão sempre aflorados, sempre em posição de defesa, sempre prontos para reagir ao perigo. Quando, em combate, permitem-se libertar de suas correntes, permitem também extravasar todo este medo de morrer acumulado e tornam-se, assim, berserkers. A maior das cicatrizes não está exposta na carne, a verdadeira marca que o Mal deixou nos orcs não são suas presas, utilizadas para rasgar tendões e triturar ossos — está em suas mentes. Sempre esperam pelo perigo, pelo Mal à espreita. Demônios não possuíram seus corpos no passado, mas transformaram seu espírito. E, na superfície, seu trauma serviu aos seus irmãos e irmãs como motor para máquinas vivas de matar.